Quem mais precisa entra por último ou nem entra
- Valter Gonçalves do Amaral

- 19 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Essa frase soa como um ditado popular ou uma expressão que sugere uma grande injustiça social ou desigualdade, mas não é um provérbio ou citação comum e consagrada que se possa facilmente rastrear a origem. Ela transmite a ideia de que aqueles em maior necessidade são, paradoxalmente, os últimos a receber ajuda ou acesso, ou são totalmente excluídos.
O sociólogo português Boaventura de Souza Santos conceituou que: "Temos o direito de ser iguais quando a nossa diferença nos inferioriza; e temos o direito de ser diferentes quando a nossa igualdade nos descaracteriza. Daí a necessidade de uma igualdade que reconheça as diferenças e de uma diferença que não produza, alimente ou reproduza as desigualdades."
A Constituição Federal de 1988 (CF/88) trata da desigualdade social principalmente no Artigo 3º, que define como um dos objetivos fundamentais da República "erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais" (inciso III). Além disso, o compromisso com a justiça social e dignidade humana é reforçado no Artigo 6º (direitos sociais) e no Artigo 170, inciso VII (princípio da ordem econômica).
A frase pode ser interpretada de algumas maneiras, dependendo do contexto. Pode ser um comentário sobre falhas em sistemas de assistência social, distribuição de recursos ou acesso a serviços (como saúde ou moradia), onde a burocracia ou a falta de organização impede que os mais vulneráveis sejam atendidos prioritariamente, como preconizava Aristóteles:
"Devemos tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na medida de sua desigualdade."
Pode indicar uma perspectiva cínica da realidade, na qual a lógica da exclusão predomina em relação à solidariedade. Apesar de ser universalmente reconhecido, essa formulação precisa não pode ser atribuída a um autor específico ou a uma fonte histórica célebre. Ela aparenta ser uma reflexão atual acerca da injustiça.
Deixando a utopia de lado, fica a reflexão e a bela citação de Santo Agostinho.
"Na essência somos iguais, nas diferenças nos respeitamos".




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