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Na Rua Direita: um encontro com o tempo

Praça da Matriz em Itaguara nos anos 1950. Acervo PMI

Ontem, vi o Tempo.


Caminhava pelas bandas de cá. Desceu devagar a antiga Rua Oliveira. Pegou a Principal e seguiu sem exitar, como faz dodo tempo.


Vestido de sabedoria, caminhava descalço, ora a passos largos ora quase parando.


Cruzou comigo quando eu, aqui no jardim, colhia primaveras.


Se não fosse pelas flores, na minha mão eu diria que o Tempo, passou perfumado, mas reside a dúvida.


De qualquer forma um cheiro bom, exalou naquele espaço-tempo. Encontros. Saudade. Sabor.


Na ocasião, tirou o chapéu e fez reverência. O Tempo é cavalheiro, sabe dá tempo ao tempo. Foi aí que de relance, contemplei os olhos do ancião. Quanta imensidão.


Um sem fim, feito terremoto rebaixando o solo, cortando, quebrando desenhando continentes. Quanta beleza, meu Deus!


Porém, ouvi um grito triste, presente nos paradoxo da vida. O grito feio que sugere a dor, a partida é mancha a existência.

- Bom dia!


Não disse mais nada, colocou novamente o chapéu e seguiu seu caminho.


De impulso, abanei a mão!


No íntimo, quiz dizer:


- Olá!


Mas isso, de encontrar o Tempo é tão raro, fiquei mudo.


Ainda que o tempo, nos visite a cada abrir dos olhos, preenchendo de ar pulmões, órgãos e vísceras, muito delicado estar frente-a-frente com o Tempo.


Requer lucidez, verdade e o Divino Espírito Santo.


Nem sempre estamos acordados para o Tempo, bom se preparar, mas prepare também os bolsos, dizem que ele é Cobrador.

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