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Percepção ambiental e seus ciclos

 

Na imagem, o exercício da percepção ambiental sobre uma centenária e conhecida como "Árvore de Óleo", que cede sua sombra para acolher muita prosa e segredos ao seu redor! Uma referência simbólica e agradável na comunidade de Aroeiras em Itaguara/MG.

Foram muitas celebrações e comemorações na semana do “Dia da Árvore”, convencionado para o dia 21 de setembro e da chegada da estação das flores, a Primavera, em 23 de setembro de 2023. Agora, estamos aguardando o período que complementará estas festividades em relação ao meio ambiente, o ano novo hidrológico, ou seja, a chegada do mês de outubro e o novo ciclo das águas, com aumento da frequência das chuvas e águas superficiais.

Uma nova paisagem vai ser vista, sentida, com cores e cheiros, formas e frutos, renovando as folhas verdes nas árvores. Com isso, devemos evidenciar momentos de percepção das mudanças ambientais para questionarmos e refletirmos sobre as demais alterações que estão atingindo o nosso clima, como a elevação da temperatura e os recursos hídricos, na maneira como estamos impactando a disponibilidade, volume e qualidade de nossas águas.


O conceito de percepção aplicado é compreendido como o processo de conhecimento pela formação da consciência e fenômeno ao qual explica as relações de pertencimento do indivíduo com o lugar. Com aporte dos valores presentes nas manifestações resultantes da percepção – cultura, história, religião, classe social, posicionamento político e uma série de outros – que influenciam diretamente no processo, o que explica que indivíduos atuantes em um mesmo grupo social expressem atitudes e pensamentos distintos. Portanto, o reconhecimento das percepções torna-se extremamente relevante para fornecer subsídios ao processo de alinhamento do nosso conceito de meio ambiente.

A percepção “é tanto a resposta dos sentidos aos estímulos externos, como a atividade proposital em que certos fenômenos são claramente registrados enquanto outros são bloqueados” e está como “elo afetivo entre a pessoa e o lugar ou ambiente físico”. Para tanto, nossa percepção se faz de nossas atitudes, valores e suas consequências – a visão de mundo – como foco no entendimento da relação humanidade versus natureza e seus respectivos reflexos.


Através de nossas “experiências” e suas implicações, a percepção “abrange as diferentes maneiras através das quais uma pessoa conhece e constrói a sua realidade” e pode ser acrescentada pelas diversas formas de “estar no mundo” que variam desde o uso dos sentidos como o olfato, paladar e tato, até a percepção visual.


A percepção do indivíduo pode ainda ser influenciada por padrões sociais, que irão intervir na forma como as pessoas percebem o ambiente, no posicionamento social delas, nas escolhas individuais e compreensão de mundo. Entende-se então que a experiência integra a percepção, sendo esta formada pela interação de diversos fatores, entre eles as informações sensoriais (visão, tato, audição, olfato e paladar), o tempo, memória, meio social e cultural, refletindo diretamente na formação de conceitos e moldando nossas atitudes.


Para alguns teóricos da área, a percepção ambiental de um indivíduo está ligada diretamente com as experiências que já teve, pois, a percepção é como o sujeito incorpora suas experiências. O sujeito compõe sua identidade a partir de interpretações culturais e constrói narrativas de si próprio, o que caracteriza a percepção ambiental como um fenômeno psicossocial. Assim, a percepção ambiental é profundamente marcada pelas vias não-racionais do ser humano que vê a natureza e o lugar habitado não só com os sentidos e a razão, mas com afetividade, nostalgia, sensibilidade estética e emoções.


Estudos enfatizam que pessoas distintas podem perceber a mesma situação de modos diferentes. A reação desses indivíduos é estabelecida a partir de sua interpretação de determinado evento. Assim, faz-se necessário entender como os indivíduos reagem a questões como sensação e percepção para compreender porque assumem certos comportamentos e emitem suas opiniões.


Por meio da realização de um estudo por percepção, busca-se entender a concepção contemporânea das pessoas sobre o ambiente em que vivem, aliando a oportunidade de gerar reflexões acerca das influências do cenário vivido. Aliando a oportunidade de estimular esse comportamento e outras reflexões, tornando mais apuradas as concepções sobre os temas ambientais e suas relações, a partir de um olhar do indivíduo sobre si mesmo, seus hábitos e sobre os de sua cidade e entorno.


E aqui provoco para mais uma perspectiva de análise destas mudanças ambientais, perguntando sobre como ficará a nossa qualidade de vida diante deste cenário de alterações da nossa paisagem, já que nós somos parte, de forma complexa e integrada do conceito de meio ambiente?


Assim, temos que repensar em nossos hábitos e práticas cotidianas neste aceleramento de impactos negativos ao nosso ambiente. Moramos e compartilhamos uma casa única, o nosso planeta Terra. Assim como dependemos dos aspectos finitos e naturais, em especial, a água e equilíbrio climático. O aumento do desmatamento, descarte incorreto dos resíduos que geram poluição, está alterando drasticamente o nosso meio ambiente. Chegou então o momento de usarmos a informação que já temos e a consciência, que em alguma medida já temos, sobre as mudanças ambientais, para partirmos para mudanças de nossas práticas com o meio ambiente, de maneira mais justa e sustentável.


Que a vivência de cada paisagem em ciclos possa ser mais harmônica no presente, para que nossas gerações futuras percebam a riqueza e diversidade de espécies da nossa flora e tantas belezas naturais que nossas percepções são capazes de captar!

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