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Sustentabilidade na prática


Neste ano letivo de 2023, estou concretizando uma experiência incrível, que está sendo ministrar aulas no ensino formal, após mais de uma década da conclusão do meu curso de licenciatura em Geografia. Atuei como geógrafa em diversas outras áreas, como socioeconômicas e culturais, e agora, como professora. Ao longo desses meses, estou como regente de turmas de oitavos e nonos anos na Escola Municipal Professora Lygia Vaz de Oliveira na cidade de Carmópolis de Minas/MG. Alcançando o objetivo de ampliar minha atuação profissional, adquirir conhecimentos para finalização do doutorado, mas acima de tudo, aproveitando cada oportunidade e tentativa de contribuir com meus alunos e alunas no processo de ensino-aprendizagem da disciplina de Geografia e Meio Ambiente.


Neste contexto, conciliando com uma demanda da escola, consegui implantar um importante projeto no ambiente escolar, relacionado ao gerenciamento de resíduos sólidos, através da coleta seletiva, triagem, reuso, reciclagem e redução do uso de materiais plástico e papel gerados na escola. Claro que todo trabalho foi realizado de maneira coletiva e com todo púbico alvo do projeto, sendo ele: gestão da escola, funcionários dos segmentos diversos, demais professores e principalmente, com muito protagonismo dos alunos e alunas!


Aproveito para agradecer a todo o corpo docente e a gestão da escola e demais envolvidos nas etapas do projeto, desde a sua fase de planejamento, escrita, elaboração e execução.


Falando do projeto, trata-se de um projeto de Educação Ambiental transversal, emancipatório e com um diferencial na sua concepção, visto a sua perspectiva prática de ações. O nome do projeto é “Sustentabilidade na Prática”, incorporando o tema Meio Ambiente aos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), e levando para o âmbito da escola o debate sobre temas que refletem as preocupações da sociedade. Ou seja, a introdução da Educação Ambiental no currículo escolar, não como uma disciplina, mas como um tema gerador em todo o contexto escolar, institucionalizando o debate sobre a questão ambiental.


A inclusão da Educação Ambiental no currículo escolar, no ensino formal, pressupõe mudança de comportamento, de valores dos grupos humanos que precisam adotar novas posturas, formas de pensar e agir. Neste sentido, a Educação Ambiental é um processo permanente na qual os indivíduos e a comunidade tomam consciência do seu meio ambiente e adquirem conhecimentos e determinação que os tornam aptos a agir e resolver problemas ambientais.


É a partir desse conceito que RIBEIRO (2002), define as características fundamentais da Educação Ambiental: seu enfoque orientado à solução de problemas concretos da comunidade (educar para a ação), participação da comunidade, enfoque interdisciplinar (interação/troca) e seu caráter permanente, visto que é um processo orientado para o futuro.


De maneira ampla, a questão ambiental no ensino formal ainda tem ficado muito restrito ao ensino de disciplinas das áreas biológicas ou humanas, como a Geografia, com poucos projetos interdisciplinares e apenas envolvendo atividades fim em datas comemorativas, como o Dia Mundial do Meio Ambiente, Semana da Árvore, dentre outras.


Ainda segundo RIBEIRO (2002), “a escola deve se tornar um espaço de construção do conhecimento e do desenvolvimento de valores e atitudes em relação ao meio ambiente compatíveis com uma nova ação social fundada no aprimoramento da qualidade de vida”. Mas o que se observa, no entanto, é que existe uma grande distância entre os conceitos e as teorias propostas e a prática, que muitas vezes, contradiz o discurso.


A Lei 9.795 de 27 de abril de 1999, que dispõe sobre a educação ambiental e institui a Política Nacional de Educação Ambiental é a base legal marco para a temática da Educação Ambiental no Brasil. A referida Lei 9.795 reconhece a educação ambiental como um componente urgente, essencial e permanente em todo processo educativo, como expressa seus Artigos 1º e 2º:


Art. 1º “Entende-se por Educação Ambiental os processos por meio dos quais o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, habilidades, atitudes e competências voltadas para a conservação do meio ambiente, bem do uso comum do povo, essencial à sadia qualidade e sua sustentabilidade”.


Art. 2º “A Educação Ambiental é um componente essencial, devendo estar presente, de forma articulada, em todos os níveis e modalidades do processo educativo, em caráter formal e não formal” (BRASIL, 1999).


Portanto, cabe ao processo de Educação Formal utilizar a Lei 9.795 como argumento e amparo para reivindicar de professores, orientadores pedagógicos e direção escolar a inserção da Educação Ambiental em seu processo educativo, com maior aproximação entre as concepções teóricas e práticas.


Os impactos ambientais decorrentes da destinação inadequada dos resíduos sólidos papel e plástico, e a pressão sobre os recursos naturais pelo consumo e desperdício crescentes levaram à busca de alternativas de gestão dos resíduos que incorporassem os princípios da minimização, reutilização e reciclagem destes materiais no ambiente escolar.


A coleta seletiva deve, assim, promover a sensibilização da sociedade, geradora de desperdício, para uma mudança de padrão de produção e consumo, a fim de viabilizar alternativas que melhorem as condições de trabalho dos catadores e que propiciem o melhor aproveitamento dos resíduos.


Com a evolução dos sistemas de produção e a uma maior demanda por recursos naturais, consequentemente enfrentamos uma crise ambiental com reflexos em diversas áreas. Um alerta mostra claramente a necessidade de readequar padrões de consumo, bem como métodos de exploração desses recursos menos agressivos e produção mais limpa.


Há muito tempo existem preocupações sobre como analisar, solucionar e prevenir os graves problemas ambientais, como a poluição das nossas águas, solo, reciclagem de resíduos sólidos, mudanças climáticas, dentre outros. E essas situações tem impulsionado a ampliação e o aprofundamento das reflexões sobre o papel das dimensões social, política, científica, econômica e cultural na formação da consciência do homem sobre o seu papel na preservação do meio ambiente, para garantir um futuro com condições mínimas para a sobrevivência da espécie.


As escolas, além de grandes geradoras de materiais recicláveis, deveriam ser locus prioritários para implantação da prática da coleta seletiva, já que têm uma função determinante na promoção da mudança cultural necessária a essa implantação. A escola vem sendo hoje um dos pontos de partida para se conseguir esses objetivos, paralelamente com ações de inserção da comunidade e seu entorno, considerando a pluralidade cultural, a participação, os saberes e talentos locais.


Referências


RIBEIRO, Telma Fernanda. A educação ambiental no Ensino formal: o Projeto Novo Goiabinha na Escola Municipal “Frei Edgard Groot”. Dissertação (Mestrado) Programa de Pós-Graduação em Educação – PUC/MINAS. Belo Horizonte, 2002.


PS: Na imagem abaixo, o mural inaugural do projeto feito por colaboradoras da Escola e utilizando materiais recicláveis e naturais para iniciar a sensibilização do público alvo e iniciar o projeto de forma lúdica e interativa com o ambiente escolar.


Foto: Marina Vilaça, área interna da Escola Municipal Professora Lygia Vaz de Oliveira na cidade de Carmópolis de Minas/MG (2023).

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