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No país da fantasia


“Moro num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza...”“Em fevereiro, em fevereiro, tem carnaval, tem carnaval...Eu tenho um fusca e um violão...” Esta música de Jorge Bem Jor, traduz o que os brasileiros mais gostam de fazer a cada verão: ir  a praia, de ônibus, de carro, ou de avião.


Com cenários paradisíacos, praias maravilhosas, cachoeiras deslumbrantes, serras, rios e muita natureza para curtir com a família e os amigos. Temos para todos os bolsos, afinal de contas, somos um país democrático.


Rio de Janeiro, uma das cidades símbolo do Brasil. Créditos: LHC Coutinho, 2019. Pixabay

Nós brasileiros, somos um povo tranquilo, nunca sofremoscom um terremoto, não sabemos o que é um tsunami, nem sofremos nenhuma guerra em nosso território. Só pela tv ou internet, conhecemos estes tipos de tragédias. Temos brigas! Ah... bastante! Por política então... Antes brigávamos  por futebol, por causa do homem ou da mulher alheios, pelas futricas dos vizinhos... nós amadurecemos como sociedade. Então, sempre temos a ingênua sensação de que estamos em um lugar seguro. Não estamos!


Estamos no Brasil! Um país de clima predominantementetropical, onde as chuvas se concentram no verão, principalmente na região sudeste e sul do país, onde fica o magnífico cartão postal da Serra do Mar, que se debruça sobre as praias maravilhosas  dos litorais sul do Espírito Santo até o norte do Rio Grande do Sul, uma região  com índices pluviométricos altíssimos no verão e com chuvas ocasionais durante todo o ano devido à proximidade da serra com o mar, as chamadas chuvas orográficas.


Além desta região maravilhosa, temos o sul da Bahia, que chove muito  no verão, Minas Gerais com suas encostas deslizantes, as inundações em Santa Catarina, os deslizamentos na região serrana do Rio de janeiro emPetrópolis, Teresópolis, e outras cidades menores da região. Por todo o nosso país temos problemas climáticos, com secas e enchentes terríveis no nordeste e no extremo sul, como também no norte e na região pantaneira, onde os animais silvestres são queimados vivos nos incêndios, muitas vezes criminosos, causados nos períodos de secas.


Toda a Terra têm problemas climáticos , com inundações, incêndios, ciclones , deslizamentos de terra, desastres físicos que podem atingir proporções gigantescas . Em áreas de convergência de placas tectônicas, ou grandefalhas geológicas, temos a ocorrência de terremotos, tsunamis e erupções vulcânicas, que podem provocar muita destruição e um elevado número de vítimasdependendo do grau atingido pela “Escala de Richter- 0,0a 10,0”. Segundo esta escala (logarítmica), quanto mais próximo a 10, maior a destruição. Se o epicentro do terremoto for abaixo do assoalho marítimo, podemos ter um cismo, seguido de um tsunami, dependendo do grau na escala de medição. Porém, este é um cenário pouco provável para nós brasileiros, que temos sim terremotos, ou melhor, tremores, que chegam no máximo a 5,0 e por isso não são sentidos na superfície, como também devido a nossa posição central dentro da Placa Sul-americana.


Portanto estamos livres deste tipo de desastre. Menos mal, para um país, já tão cheio de problemas e mazelas como o nosso. 

Nos acostumamos a ver as tragédias se sucederem em nossas telas e nem sempre , temos a dimensão da dor e do desespero de quem as estão vivendo. Vemos pessoas morrerem , cidades inteiras serem arrasadas, tanto em países ricos quanto em países pobres. O problema é, como os governos destes países e seus habitantes lidam com as tragédias, sejam naturais ou não. Em países ricos e desenvolvidos, os prejuízos humanos e materiais são bem menores do que em países pobres e pouco desenvolvidos, onde não existe uma boa infraestrutura como saneamento básico, prédios com amortecedores para terremotos e geralmente um alto grau de corrupção dos agentes públicos que corroem as estruturas de fiscalização destas nações.


Nós brasileiros , nos acostumamos a ver todos os anos as mesmas cenas de destruição e morte causadas pelas chuvas de verão em várias cidades do país. São desastres naturais? SIM! Devido aos elevados índices pluviométricos que foram despejados em uma determinada localidade em um curto espaço de tempo. NÃO! Devido ao mal uso do solo, ocupação ilegal das encostas, especulação imobiliária que empurra a população menos favorecida para as áreas mais vulneráveis, corrupção de agentes públicos, que fazem vistas grossas aos condomínios de luxo ilegais que não poderiam ser erguidos em áreas de preservação ambiental, assoreamento de rios e córregos, falta de um Plano Diretor paradisciplinar e planejar o crescimento das cidades.


O Brasil é um país do: “acode, cumpadre, a casa caiu”.Não existe gestão de riscos, não existe planejamento. Somos filhos de uma cultura que prefere remediar do que prevenir. Não pagamos seguro de carro, nem de casa e nem plano de saúde, jogamos com a sorte e nem sempre ganhamos. Votamos em políticos que prometem resolver nossos problemas imediatos, nós não pensamos a longo prazo, somos imediatistas. Não pensamos no amanhã. Não ficaremos velhos. Os problemas se sucedem e se repetem e as promessas eleitoreiras saem das bocas mentirosas dos políticos e nunca se tornam rios desassoreados, nem encostas protegidas, ou bairros saneados e urbanizados.


De janeiro a janeiro, os lixos continuam se acumulando nas ruas, as pessoas continuam jogando sofás dentro de córregos, roubando as “bocas de lobo” das ruas , roubando tudo o que se pode vender e fazer um troco. Êta herança maldita da desonestidade dos que vieram aqui somente para nos roubar, com a desculpa de nos colonizar. Esta cultura da espoliação, continua... Temos de tentar melhorar nosso DNA e incutir em nossos filhos os princípios de condutas honestas e de respeito aos bens alheios.


Não somente a classe política é culpada, nossos gestores tem sim sua enorme parcela de culpa, mas nós cidadãos que deveríamos fazer a nossa parte não fazemos. É aquele velho ditado: “Farinha pouca, meu pirão primeiro”. Somos sim um povo solidário, mas muitas vezes, agimos com egoísmo e falta de educação mesmo.  


Na década de 50, para desenvolver a indústria automobilística, o Brasil sucateou e diminuiu drasticamente sua malha ferroviária e investiu em rodovias. Hoje, 70% da produção brasileira, étransportada por caminhões ou carretas, fazendo com que cargas perecíveis ou de alto risco circulem por nossas rodovias, que nem sempre estão em bom estado e nem todas são monitoradas por radares. Portanto, quase todos os dias temos acidentes envolvendo veículos de carga em nossas estradas. Quando estes acidentes ocorrem próximosa alguma cidade, as pessoas correm para o local do acidente.


Alguns até tem a intenção de ajudar, mas a grande maioria vai com a intenção de saquear a carga, sem se preocupar com a vida do motorista acidentado, ou se a carga tinha seguro, se ele tinha família. São como abutres, principalmente, quando é uma carga de alto valor que possa ser vendida para terceiros. Não é para matar a fome, é para tirar vantagem, para lucrar com a desgraça alheia. Isso é desonestidade, é falta de amor ao próximo.

Em qualquer situação de desastre no Brasil, seja ele natural, ou não, temos sempre a banda podre de brasileiros que se dirigem até o local das tragédias para venderemprodutos acima do preço de mercado. Saquearem as casas abandonadas às pressas por seus moradores, que fogempara não morrer, roubam tudo o que acham pela frente.


O brasileiro tem muito a aprender ainda. Não se cresce ou enriquece, pisando ou roubando as pessoas. Não adianta reclamar de políticos desonestos , se não começarmos a mudar a nossa forma de agir em relação ao espaço físico e social do qual fazemos parte, enquanto não pensarmos e agirmos coletivamente, não seremos uma grande Nação.


Estamos longe de ser uma NAÇÃO desenvolvida e próspera , justamente pelo egoísmo de parte de nossa sociedade que olha apenas para o seu umbigo e ainda inveja a grama do vizinho. Sejamos gratos por tudo que temos! Abençoado seja o que vem do nosso esforço e trabalho! Grande abraço!  

 

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Maria da Conceição Lima Costa- Professora da Rede Municipal de Belo Horizonte – Licenciatura Plena em Geografia -UFMG/INCOR- Pós-Graduação em Educação Ambiental pela Faculdade Rio Branco- SP e Política e Sociedade – Faculdade São Luís- Curitiba-PR.

 

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