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Entrevista: Vereador Guilherme Acílio

Neste mês de abril de 2023, o Sagarana Notícias (SN) entrevista um dos mais jovens legisladores da região: o farmacêutico, empreendedor, e professor, Guilherme Acílio de Assis e Silva, o "Guilherme do Celso"(PDT), como é conhecido em sua cidade, Crucilândia.

Foto reprodução: Guilherme Acílio, vereador em Crucilândia-MG


Guilherme(PDT) tem 35 anos de idade e foi eleito vereador em 2020 com 213 votos, o que correspondeu a 4,90% dos votos válidos naquele pleito, o quarto mais votado na cidade. É o único vereador da região advindo do Renova BR, uma iniciativa de renovação política idealizada pelo empreendedor e investidor Eduardo Mufarej.


Acompanhe a entrevista:


SN - Como você se aproximou da política e por que decidiu se candidatar ao cargo de vereador em Crucilândia?


Desde bem novo me interessei por política e seus reflexos na vida das pessoas. Esse interesse se acentuou na época das manifestações dos 20 centavos em meados de 2013 e no impeachment da Dilma. Desde então, sempre em busca de informação, comecei a estudar, como autodidata, ciência politica, economia e filosofia. Não tinha a pretensão de ser candidato, apenas de difundir ideias e informação acerca das mazelas do estado e de políticas públicas que geram, de fato, impacto na sociedade. O cenário mudou quando recebi o convite para me candidatar no final de 2019.


Fiquei relutante a princípio, pedi um tempo para a resposta. Ao refletir sobre o convite, me dei conta da ausência de candidatos que de fato me representassem no cenário municipal. E influenciado por chavões da época como "vamos sair da indignação para a ação" resolvi aceitar o desafio. Procurei me especializar e obter "carimbos" que validassem know-how da área para além de obter conhecimento mais aprofundado na área, transparecer mais credibilidade como candidato. Desde então, passei por processos seletivos do RenovaBR, do Liberta Minas, do Ideias Radicais e me matriculei no curso de gestão pública. Todos foram muito importantes tanto no processo eleitoral quanto no exercício do mandato.


SN - Qual é a sua opinião sobre o papel do vereador na sociedade e na política local?


A atribuição constitucional do vereador é legislar, fiscalizar, levar as demandas da cidade ao poder público e representar os munícipes. Há limitações na ação de legislar no que tange aos gastos públicos e há de se ter cautela em sua execução. Um vereador com alta produção legislativa nem sempre é uma boa notícia. No Brasil são publicadas 522 normas, em média, por dia. É humanamente impossível acompanhá-las, como diz Adriano Gianturco: "O Brasil tem leis demais. Se fossem todas aplicadas perfeitamente, o Brasil pararia." Ter uma leitura dos reflexos dessas leis na sociedade, além das intenções de quem as propôs é fundamental.


SN - Como romper com a lógica do assistencialismo que caracteriza grande parte das câmaras municipais pelo país? Essa é uma realidade também em Crucilândia?


Tenho um caso emblemático que resume bem a nossa realidade local. Ainda em campanha, em uma visitação em domicílio à família do eleitor, fui abordado sem cerimônia - "Aqui em casa vamos votar em quem fizer o nosso muro!"; de prontidão respondi que não poderia atender o pedido e que se alguém o fizesse estaria sendo corrupto antes mesmo de eleito. É um mecanismo danoso à democracia, leva ao poder quem não tem apreço pela moralidade no serviço publico e que acentua os reflexos dos chamados custos difusos, benefícios concentrados. Uma minoria vai se valer desse assistencialismo e uma maioria paga a conta. Isso vale tanto para a campanha quanto para o exercício de mandato.


A quebra desse sistema não é fácil, necessariamente, passa pela conscientização do eleitor em não votar nesse tipo de candidato, por mais que ele vá se valer de alguma benesse. Parte também da mobilização de boas pessoas para pleitear os cargos públicos. A visão de que a política é sempre suja e meio de corrupção afugenta as pessoas que não compactuam com os malfeitos. Ambos são necessários para que boas pessoas sejam eleitas e que é possível fazer política sem renunciar a princípios e valores morais imprescindíveis na gestão publica idônea.


SN - Você não acha que vereador em cidades menores deveria ser voluntário, sem receber salários/subsídios?


A meu ver, a ausência de remuneração poderia atrair boas pessoas para pleitear os cargos públicos, visto que em municípios pequenos a atividade legislativa não compromete tanto o tempo do mandatário. Aqui em Crucilândia, por exemplo, todos os vereadores exercem outra função alheia à vereança. Os pretensos bons candidatos não se veriam sendo julgados pelo eleitor como oportunistas em busca de "dinheiro fácil". Mas vejo mérito no argumento contrário também, quadros mais técnicos que vão se empenhar, gastando mais tempo e dedicação no exercício do mandato, estudando os projetos, a legislação vigente, buscando soluções para o município etc. Estes não iriam participar pela falta de remuneração. Infelizmente, esse tipo de perfil é minoria entre os eleitos, não saberia mensurar qual dos cenários seria mais benéfico como resultado final. O mesmo não se aplica para cidades maiores onde há grande demanda por parte do legislativo, nem a cargos do executivo, visto tamanha necessidade de dedicação ao cargo.


SN - Você atualmente se considera de oposição ou base do prefeito Laércio?


Sou oposição à atual gestão, discordo de vários pontos na condução da prefeitura de Crucilândia. Entre elas, está a falta de planejamento das ações, a exemplo da pavimentação de vias onde vemos recapeamento de trechos em excelente estado e áreas rurais muitas vezes ilhadas sem uma atenção devida. Veja a demolição do nosso CEM (Centro Esportivo Municipal) pouco tempo após a sua inauguração. Os problemas de infraestrutura no Centro de Saúde Frei Pio (posto de cima), que com menos de 2 anos de construção viu-se interditado. Isso demonstra falta de estudo do solo antes da construção, solo esse que era previsível haja vista os problemas com fundação por ser uma área aterrada. O prefeito vetou leis importantes como a Lei de Liberdade Econômica e Pagamento de IPTU por PIX, uma lei que, estatisticamente, é promotora de emprego e renda nas cidades que a aderem, outra moderniza o pagamento de impostos, trazendo mais comodidade ao munícipe. A articulação para a derrubada de outros projetos como o de transparência no uso de maquinário pública, etc. Minhas investidas para a regulamentação da cobertura de telefonia do 5G também foram frustradas, com requerimento de acesso à informação respondidos de maneira incompleta. Isso tudo demonstra que a gestão não tem apreço pela eficiência no gasto do dinheiro público, pela transparência nessa prestação de serviços nem a modernização do mesmo. Como isso tudo já não bastasse, queixas de mau atendimento às solicitações dos munícipes são frequentes.


SN - Qual é o seu principal objetivo como vereador de Crucilândia e quais as maiores conquistas até agora nestes dois anos no cargo?


Meu intuito de entrar na vida pública é o de melhorar a vida dos crucilandenses, trazer um ambiente mais transparente e democrático na prestação dos serviços públicos. Vários projetos foram protocolados nesses 2 anos, alguns para dar mais transparência na administração pública, desburocratização, corte de privilégios. Praticamente todos foram derrubados pela situação ou vetados pelo prefeito. Consegui aprovação na câmara em 4 deles: do IPTU por PIX, da Liberdade Econômica, da extinção do recesso dos vereadores no meio do ano (sim, vereador tinha 2 férias por ano) e o substitutivo que regulamenta os ambulantes na cidade. Infelizmente, a do PIX e da Liberdade Econômica foram vetadas. Outra conquista importante foi a indicação de R$ 354.031,15 para a escola municipal para a aquisição de uma Van e de mobiliário e equipamentos escolares. Requerimentos de zeladoria urbana atendidos também.


SN - Você se sente frustrado como vereador? A Câmara era o que você esperava?


O sentimento é de frustração e impotência muitas vezes. A Câmara não é como eu esperava, tinha esperanças de que projetos seriam avaliados pelo mérito e não pelo proponente. O que me transparece na votação dos pares é que não importa se vai trazer avanços ou mais transparência, e sim de quem propos. Falta de aprofundamento nos temas, ausência completa de audiências públicas e requerimentos de dispensa de prazo soam como a intenção de aprovação a toque de caixa sem a elucidação dos fatos. Os projetos de minha autoria tramitam na velocidade de um tartaruga.


SN - Qual é a sua opinião sobre a atual situação política e econômica de Crucilândia?


Vejo com péssimos olhos, uma população que teme se expressar por receio de retaliação por parte dos políticos e refém de uma máquina pública que não almeja a emancipação dos seus munícipes. Sem incentivos ao crescimento econômico local e atração de investimentos.


SN - Quais são as principais demandas da população de Crucilândia e como você faz para atendê-las?


Sempre me deixo disponível para atendimento, seja via WhatsApp ou mesmo pessoalmente, requerimentos de zeladoria urbana são frequentes. Já os projetos que poderiam ter mais impacto no emprego e renda foram frustrados no passado, mas continuo perseverando, não desanimei e ainda faltam 2 anos para completar o mandato, vou propondo tudo de novo e outros mais que vão aparecendo.


SN - Você tem algum projeto específico em mente para melhorar a vida dos moradores da cidade nos próximos anos?


A curto prazo um fortalecimento da EMATER e um amparo melhor ao produtor rural creio que faria toda a diferença na produtividade do campo. Atração de empresas para alavancar emprego e renda. Monitoramento com câmeras nas principais vias públicas teria um baixo custo de implementação e um grande retorno na segurança. A longo prazo fortalecimento do ensino básico com foco na melhora dos nossos índices educacionais e aprendizado dos alunos. Infraestrutura precisaríamos de ajuda da União ou do Estado, mas uma grande realização seria a estrada Crucilândia - Bonfim e uma estação de tratamento de água em nosso município. Vários outros pontos menores, mas o grosso creio que seja isso.


SN - Como é a relação da Câmara de Crucilândia com a Prefeitura. Há independência? Há harmonia?


A oposição conta com poucas cadeiras na Câmara, infelizmente não vejo uma câmara independente e atuante. Alguns absurdos passam sem o menor constrangimento. A exemplo, os créditos suplementares pre aprovados em LDO acima dos recomendados pelo TCE. A recomendação do TCE já é bem generosa (30%), a concessão de valores superiores aos recomendados demostra completa falta de planejamento do executivo com o orçamento. Ao aprovar tal margem, os vereadores mitigam o poder da câmara em acompanhar e fiscalizar alterações orçamentarias abaixo dos índices estipulados. Infelizmente com a minoria de 3 dos 9 vereadores não conseguimos quorum para derrubar as medidas e os demais votam sempre favoráveis aos projetos vindos do executivo, independente se absurdos como esse ou não.


SN - Como você planeja trabalhar em conjunto com os demais vereadores para alcançar seus objetivos? A relação entre os vereadores é frutífera? Ou essencialmente fisiológica é baseada em interesses?


Pessoalmente tenho um bom relacionamento com os colegas, as divergências ficam apenas no plenário. Tento contato para conseguir votos, na maioria das vezes frustrado como é fácil de observar, mas não levo pro pessoal. Apenas fico frustrado com o que Crucilândia acaba perdendo (ou deixando de ganhar) em certas votações. Sigo remando com pragmatismo, projetos que julgo bons votamos a favor, ruins voto contra, sem peso na consciência.


SN - Qual é a sua opinião sobre a participação da população nas decisões políticas da cidade? Isso acontece? A população de Crucilândia é participativa? Como fazer para tornar o povo mais ativo na vida comunitária?


Gostaria que fosse mais participativa. Em votações importantes a presença da população na câmara acaba por constranger votos absurdos. Com a casa vazia percebo que esse constrangimento não existe. O fomento a essa participação passa por uma melhor divulgação das seções e um agendamento das extraordinárias com maior antecedência e fora do horário comercial. O mais comum aqui são seções convocadas 48H antes, o que é o prazo mínimo regimental, e sem audiências públicas para melhor escrutínio dos temas. Um projeto extremamente interessante é o Câmara Mirim que por simulação visa ensinar crianças sobre o processo legislativo. Vejo várias câmaras com a iniciativa e é extremamente louvável a iniciativa para conscientização das novas gerações.


SN - Qual é a sua posição em relação à questão da corrupção na política? Você pensa que é algo presente na nossa região? É um vício nacional? É algo cultural?


Sou completamente intolerante à corrupção, infelizmente o meio político é ao contrário do ideal. Isso gera um círculo vicioso que afasta boas pessoas de participarem. Creio que o cenário se justifique por 2 principais eixo: o primeiro é o "jeitinho brasileiro", no qual o sujeito que se usa de vantagem ilícita é visto como "espertão". O segundo eixo é a impunidade. O que previne o crime é a certeza de que haverá uma punição. Na certeza da impunidade, o corrupto não se contem. Com certeza a corrupção é está presente em nossa região e é algo difícil de ser combatido, principalmente pela falta de transparência. Para quebrarmos esse ciclo é necessário que boas pessoas entrem para a política, e hoje em dia temos alguns (poucos) exemplos de que é possível fazer boa politica sem se corromper ou abdicar dos seus princípios.


SN - Qual é a sua opinião sobre a atual situação econômica do país e como você planeja ajudar a melhorá-la a partir cidade de Crucilândia?


Creio que o principal problema que enfrentaremos nos próximos anos é a desvalorização de nossa moeda, ao nível municipal não há o que se pode fazer a esse respeito diretamente, o controle de emissão de moeda e da dívida nacional fica com a união. Ao nível municipal é nos resguardar quanto ao tesouro municipal, evitando endividamento e planejando bem o orçamento para o não colapso das contas publicas. Fomento a diversificação da matriz econômica municipal, visto que uma matriz mais uniforme arrisca sofrer mais impacto de uma recessão. Programas de combate a miséria e fome para os que vão sofrer mais com a inflação, com foco na inserção ao mercado de trabalho.


SN - Você tem algum projeto de desenvolvimento econômico para Crucilândia? O que você ainda espera realizar durante o seu mandato?


Muitas das ações de fomento dependem do executivo, mas no legislativo ainda é possível tramitar alguns projetos, tais como: Lei de Liberdade Econômica, estatuto da desburocratização, regulamentação do 5G. Em outras áreas, destaco os projetos de transmissão online de licitações, transparência nas filas do sus, nas vagas escolares, projeto "mãe crecheira", transparência e digitalização da prefeitura e da Câmara dos vereadores, ficha limpa para ocupação de cargos comissionados. Outra meta é a cobrança junto ao estado para a rede de infraestrutura na região; Minas ao receber os recursos que estão previstos para sair da indenização da Vale me deixa esperançoso com uma possível pavimentação da estrada Crucilândia - Bonfim


SN - Quais as suas pretensões políticas para o ano que vem? Vereador de novo? Prefeito? Ou abandonar a vida pública?


Quero continuar a contribuir com o grupo de oposição de Crucilândia, ainda é muito precipitado falar sobre candidatura ao executivo, não é uma decisão monocrática dentro do nosso grupo, há de se avaliar por meio de pesquisa e verificar o engajamento antes dos pretensos candidatos. Não nutro apreço ou vaidade ao cargo, ao dar a melhor contribuição que eu puder já me dou por satisfeito. Além disso, a soberania nesse assunto é do povo, é ele que, em última instância, coloca e tira seus governantes do poder.


SN - Deixe uma mensagem final para a população de Crucilândia, para os leitores do Sagarana Notícias.


Primeiramente, um agradecimento ao Sagarana pelo convite, aos leitores que se interessaram e chegaram até o final dessa entrevista, aos entusiastas que acompanham o mandato mais de perto e presenciam os embates e dificuldades nos avanços, a população que me concedeu essa responsabilidade que me empenho em executar. Termino com um convite aos demais, para serem participativos, acompanharem o trabalho dos vereadores e do prefeito em sua cidade, se inteirem de quais são as atribuições para resolver os problemas, acompanhem as tramitações, aprovações (ou rejeições) dos projetos. Tudo isso impacta diretamente na vida de vocês. Um abraço!

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