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Acontecências


Soraya é formada em Geografia pela UFMG e possui Pós-graduação em Geografia ambiental pela PUC

Olá pessoal de Itaguara e região! Para os que ainda não me conhecem, sou Soraya Lara, nasci em Itaguara, mas morei em Belo Horizonte grande parte de minha vida. Entretanto, devido a meus vínculos familiares, sempre estive presente em Itaguara e região. Há algum tempo fixei residência em Itaguara.


Sou Formada em Geografia pela UFMG, com pós-graduação em Geografia Ambiental pela PUC-MG. Lecionei em escolas da rede Municipal de Belo Horizonte (BH). Dediquei por alguns anos ao ramo de combustíveis. Hoje, já aposentada, me dedico a leitura de bons livros, a assistir bons filmes, degustar bons vinhos e às viagens, naturalmente com amigos queridos.


Quando fui convidada para escrever esta coluna, me senti lisonjeada e desafiada, porém, receosa. Confesso que o medo me tirou o sono, fiquei pensando sobre o que escrever, sobre quais temas abordar.

Achei o desafio interessante e acredito que será uma experiência muito gratificante. Nem preciso dizer que já comecei apanhando, até para ligar o meu computador, desligado há anos. Custei a lembrar da senha, sem falar ainda da dificuldade de localizar as teclas de pontos acentos e vírgulas. Não está sendo fácil, mas estou gostando desta empreitada, acho que me aproxima novamente do mundo tecnológico, do qual andava bem afastada. Disposta ao desafio, vamos lá!


O nome da coluna foi sugerido pelo também colunista deste portal, Alisson Diego, e de cara gostei: ACONTECÊNCIAS. Obviamente recorri ao amigo Google para me apropriar de um significado mais abrangente: “acontecimento repetitivo, evento que acontece com regularidade, mesmo que desorganizadamente sem períodos definidos ou constantes.” Então pensei em qual tema poderia dissertar nesta primeira edição. Conversando com meu amigo Marco Túlio, também colunista deste portal, acatei de muito bom grado uma das sugestões: o Carnaval a Cavalo em Bonfim, pois trata-se de um evento que preenche totalmente o propósito desta coluna, que é falar sobre os acontecimentos de nossa região. Como estamos próximos ao carnaval, acredito que seja um tema bem apropriado.


Esta festa já faz parte da história da cidade de Bonfim, e nasceu em meados de 1840. É a única do gênero no país. De acordo com dados históricos, é uma festa pagã, e sua origem foi a cavalhada, que é uma celebração religiosa e representa a Guerra Santa entre mouros e cristãos pela conquista da Península Ibérica.


A cavalhada foi trazida para Bonfim por um Padre conhecido como Padre Chiquinho, natural de Portugal. Há quem diga que no primeiro ano da festa, cujo objetivo era atrair mais fiéis para redondeza, Padre Chiquinho ficou tão emocionado com a proporção do evento e de sua beleza, que acabou por falecer de emoção.


Inicialmente era uma festa de caráter eminentemente religiosa realizada em junho (cavalhada), em Bonfim. Os cristãos vestidos de azul celeste, na cavalhada representavam o bem e os mouros, de vermelho o mal, onde, nesta representação o bem sempre vencia o mal, mensagem religiosa bem óbvia.


Entretanto, no passado, um bispo da Igreja Católica proibiu a cavalhada na cidade. Alguns cavaleiros revoltados com esta decisão , decidiram realizar a festa em uma data não religiosa. Nascia assim, em meados de 1840, o Carnaval a Cavalo de Bonfim.


As fantasias mudaram de cor. Foram introduzidos os confetes e serpentinas. O vermelho que reproduzia o inferno, e o azul, o céu, deixaram de ter esse significado. Somaram-se a elas outras cores e muito brilho, e as novas fantasias passaram a encantar ainda mais o desfile.


As roupas hoje, mais elaboradas, coloridas e com bordados, são ricamente feitas à mão. A confecção destas demora cerca de três a quatro meses, e contam com a experiência e talento das costureiras e bordadeiras da cidade.


Ressalta-se ainda que os cortejos eram restritos apenas aos homens, porém com as mudanças sociais, as mulheres, hoje, são presença marcante no festejo e abrilhantam ainda mais o desfile.


Os cavalos são preparados durante todo o ano, com muito carinho! No desfile os animais se apresentam com pelos lisos, macios e brilhantes, e bem alimentados.


O evento conta hoje com os mais de seis mil habitantes de Bonfim, e aproximadamente vinte mil turistas que passam por lá.


O carnaval de Bonfim começa na sexta feira com o último ensaio da bateria ¨Unidos outra vez¨. No sábado tem a chegada do enorme Zé Pereira, puxado pela escrava Generosa, dando início às festividades na cidade. Ao som da Havaneira Bonfinense, os cavaleiros adentram a praça da matriz, entregam a bandeira do Clube Carnavalesco do Carnaval a cavalo para as autoridades e para a Corporação Musical Padre Miguel, que também é responsável pelas marchinhas durante a corrida. Os cavaleiros e as amazonas saem em desfile jogando serpentina no povo. Na segunda- feira é a vez da Banda Mole e no último dia, eles montam novamente nos cavalos, amarram os lenços brancos com os do companheiro do lado e partem para o final do desfile, que é de grande emoção, tanto para o público quanto para os cavaleiros. Eles desamarram os nós e agitam os lenços despedindo­­-se da população. A bandeira é recolhida, os cavaleiros e as amazonas dão mais uma volta e vão embora, deixando saudades e o recado de que no próximo ano estarão de volta.

O carnaval este ano ocorrerá entre os dias 17 e 21 de fevereiro. Sem dúvida, esta é uma bela manifestação da cultura popular da nossa região, um espetáculo que vale a pena ver.


Ressalto ainda, que Bonfim é uma cidade histórica, com grande parte de seu patrimônio preservado e restaurado. A cidade conta com uma excelente rede de bares e restaurantes gourmets, boa opção para o carnaval ou mesmo para um fim de semana com bons papos entre amigos.

Isto é acontecência!!!!


Até a próxima!!!

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